Diretor de Longlegs explora conflitos de gênero em novo filme com efeitos perturbadores
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Quando Longlegs – Vínculo Mortal chegou aos cinemas em 2024, toda a campanha de marketing gigantesca do filme sinalizava um momento decisivo: a ascensão de Osgood Perkins. Conhecido por seus trabalhos anteriores em filmes de terror menores, que se destacavam pelo estilo sutil e uma atmosfera densa, Longlegs representou seu grandioso salto para o mainstream de Hollywood. Este era não apenas seu primeiro ‘grande filme’, mas também o primeiro que veio acompanhado de grandes expectativas do público.
No entanto, frente a essa nova responsabilidade, Perkins pareceu retrair-se. Apesar de Longlegs ter alcançado bons números de bilheteria e receber críticas geralmente positivas – que com o tempo mostraram-se menos favoráveis do que o esperado –, o diretor parecia pouco à vontade com a grandiosidade associada à sua visão, mostrando-se inflexível com a ideia de gastar e fazer mais dinheiro para os estúdios. Isso levou a uma espécie de ajuste de rota em seus trabalhos subsequentes, como O Macaco e agora, Para Sempre Medo, embora por vias bastante distintas.
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Na adaptação de Stephen King, o humor negro ajudava a destacar as conturbadas relações familiares no cerne da trama, enquanto Para Sempre Medo busca simplicidade de outra maneira. Liz (Tatiana Maslany) e Malcolm (Rossif Sutherland) são um casal que decide celebrar um ano de namoro com um fim de semana romântico na cabana isolada da família do rapaz. Com o passar dos dias, no entanto, ela começa a suspeitar que ele não é quem diz ser, e eventos estranhos ao redor da propriedade só aumentam suas dúvidas.
O roteiro de Nick Lepard (Animais Perigosos) é uma clássica história de casa assombrada que, simultaneamente, reflete sobre as dinâmicas românticas entre os gêneros. Em um momento, Liz telefona para uma amiga, que a aconselha a deixar o local e menciona a possibilidade de Malcolm ser casado, tal como um ex-namorado da protagonista. A reação irritada de Liz à sugestão e sua interação cautelosa com Minka (Eden Weiss), a namorada modelo do primo de Malcolm – que aparecem de surpresa no fim de semana romântico –, apontam para uma reflexão sobre as tensões que emergem entre mulheres num mundo focado em agradar aos homens.
É um subtexto astuto, porém não profundamente explorado. Para Sempre Medo intencionalmente se mantém superficial, impondo limitações deliberadas à sua narrativa: um lugar, uma relação, uma mudança nas dinâmicas de poder entre os gêneros. Tanto Perkins quanto Lepard parecem mais confortáveis nesse ambiente, e essa comodidade permite ao diretor apresentar o filme de uma maneira calorosa e terrena, ainda não vista em seu repertório cinematográfico.
Para Sempre Medo é permeado por tons âmbar e uma iluminação amarelada, utilizando-se do visual da madeira, do mel e do chocolate (todos elementos significativos na história) para evocar medo e tensão que, em vez de alienar, convidam à imersão. Assim como Liz é seduzida pelas promessas de Malcolm, o espectador é envolto em um filme de terror que prefere expressar sentimentos tangíveis e claramente visíveis na tela. Com o suporte crucial do diretor de fotografia Jeremy Cox (promovido após dirigir a segunda unidade em filmes anteriores do cineasta), Perkins demonstra aqui também seu talento e interesse por histórias que se revelam, ao invés de se ocultarem. A novidade é vê-lo brincando conosco, e não contra nós.
O resultado é um filme de terror marcante, repleto de detalhes artesanais, que introduz um tema relevante e deixa ao espectador a tarefa de interpretá-lo. E também o melhor trabalho de Oz Perkins em muito tempo.
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Nota do Crítico
Para Sempre Medo
Keeper
99 min
Canadá, EUA
Oz Perkins
Nick Lepard
Tatiana Maslany, Rossif Sutherland
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.