Impossível Não Chorar: A Trágica História de Amor de JFK Jr. e Carolyn Bessette

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A estreia de Ryan Murphy promete ser o novo destaque nos prêmios — e com todos os méritos

Há uma satisfação especial em ver uma série ganhando notoriedade gradualmente ao longo de sua exibição. Não é aquela que já nasce sob grandes expectativas e uma audiência ansiosa pela estreia. É sobre a série que surge discretamente e conquista o público episódio por episódio, semanalmente. Com o tempo, o marketing boca a boca – e uma ajudinha de uma polêmica que surge pelo caminho – solidifica sua presença merecidamente no radar do público.

  • História de Amor: JFK Jr. e Carolyn Bessette | A narrativa e a tragédia real

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A série História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette começou a ser notada somente no final de fevereiro, apesar de ter sido lançada em 12 de fevereiro. Após nove episódios, tornou-se a minissérie original mais assistida do canal FX no Hulu e no Disney+.

Contando com o renomado Ryan Murphy no comando, conhecido por suas antologias American Crime Story e American Horror Story, além de diversas outras séries, o projeto já começava com grande potencial. Somado a isso, o apelo dos protagonistas, o filho cobiçado do ex-presidente dos EUA, JFK, e seu casamento com a publicitária de moda americana Carolyn Bessette, trazem um charme extra. Apesar de muito do seu enredo ser inicialmente desconhecido pelo público americano, o sobrenome é um dos mais emblemáticos da política do século 20.

A força da série criada por Connor Hines está em trazer para perto o romance de um casal que muitos não conheciam a fundo. A produção facilita a empatia com os personagens, apesar de suas vidas distantes da realidade do espectador comum. Mais do que isso, cria-se um vínculo que nos faz compartilhar suas dores e desafios, mesmo conhecendo o trágico desfecho.

O final, aliás, nunca é um segredo. Mesmo aqueles que não acompanharam as notícias sobre o acidente de avião pilotado por John F. Kennedy Jr., com sua esposa Carolyn Bessette e a cunhada Lauren Bessette, podem antecipar o que acontecerá desde a primeira cena. A série inicia no fatídico dia 16 de julho de 1999, com um tenso diálogo entre o casal enquanto se preparam para voar para um casamento em Martha’s Vineyard. A maneira como a cena é filmada e o abrupto retorno ao passado são claros indícios do que está por vir.

Entretanto, História de Amor é construída para ir além do acidente. Nos momentos em que mais brilha, a série explora a intimidade de seus personagens, adicionando profundidade e complexidade a cada um deles. É fácil se encantar por Carolyn, interpretada por Sarah Pidgeon. A atriz se adapta perfeitamente ao papel, transformando-se de forma irreconhecível com seus cabelos loiros, após participações em Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e The Wilds. Carolyn, escolhida pessoalmente por Calvin Klein para trabalhar em sua marca em Nova York nos anos 90, é uma personagem que naturalmente atrai olhares.

Por isso, é ainda mais triste ver como ela perde seu brilho após o casamento com John. Não por negligência do marido, mas pela perda de sua privacidade e uma depressão profunda que, na época, era ainda mais difícil de reconhecer e tratar. Carolyn vai se desgastando, e Sarah Pidgeon acompanha cada uma dessas transformações.

Paralelamente, o roteiro também nos permite um vislumbre da família Kennedy, irresistível de se seguir. Mesmo que suas obrigações, tradições e julgamentos possam repelir qualquer um de fora – como ocorreu inicialmente com Daryl Hannah e, posteriormente, com Carolyn – a série nunca deixa de mostrar os dois lados da moeda. John vive numa zona de privilégios, sim, mas também sob grande pressão familiar e escrutínio da mídia e do público. Ele nunca se sente suficiente, e é dessa humanidade que nasce nossa simpatia pelo personagem, que de outra forma poderia ser visto apenas como um playboy que nunca precisou decidir o que queria da vida antes dos 40.

Talvez a maior barreira para gostar de John seja devido ao novato Paul Anthony Kelly. Ele se sai bem como o galã divertido que conquista o coração das mulheres de Nova York, mas quando a situação exige mais intensidade, sua atuação destoa do restante do elenco – que ainda inclui performances notáveis de Grace Gummer como sua irmã, Caroline, e Naomi Watts como sua mãe, Jackie.

No fim das contas, John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette podem ter sido a escolha perfeita para iniciar esta série antológica. Um casal encantador, cuja história de amor poderia ser o enredo de uma fanfic, mas que estava destinado a não durar. Mais um acerto de Ryan Murphy. Provavelmente, ainda ouviremos falar muito dele e desta série nas próximas temporadas de premiações.

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