A equipe de IT – A Coisa leva sua estética e dinâmica para um novo universo de monstros no mundo de Stephen King
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Há não muito tempo, era comum que filmes populares desdobrassem em séries ou que séries gerassem filmes. Essa tendência, que dominava os estúdios de cinema, hoje se mostra um tanto saturada e reveladora de uma falta de inovação criativa. IT: Bem-Vindos a Derry, por exemplo, foi concebido durante esse auge, mas só chegou às telas recentemente, quando a prática já parece ultrapassada. Com a produção da equipe responsável pelos filmes do Pennywise (Bill Skarsgard, que retorna ao papel), um fenômeno de terror contemporâneo, a série ostenta a qualidade e o investimento típicos de produções da HBO.
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Nos primeiros episódios de Derry, a hesitação da Warner em como aproveitar o sucesso anterior é notável. Desde o começo, o roteiro busca estabelecer conexões com os filmes, baseados na prolífica obra de terror de Stephen King, e faz isso de forma muito direta, quase como um aceno aos fãs. Essa abordagem faz com que Bem-Vindo à Derry pareça uma tentativa da HBO de emular a fórmula da Marvel, priorizando o universo compartilhado em detrimento de uma narrativa autônoma.
A série narra as experiências de um grupo de crianças de Derry que enfrentam diversas manifestações da entidade que mais tarde é conhecida como Pennywise. Além delas, a trama também segue militares e investigadores cujos destinos se cruzam com os dos jovens, em uma cidade onde o inexplicável e o bizarro são comuns. O enredo se concentra nos jovens, refletindo claramente os protagonistas dos filmes, mas também dá espaço para outros grupos, essenciais para construir esse universo interconectado, repleto de pistas e conspirações que remetem à famosa história de King.
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O trio Jason Fuchs, Andy e Barbara Muschietti lidera o desenvolvimento da série, assim como fizeram nos filmes. Não é surpresa que a estética cinematográfica seja replicada e até intensificada na televisão. Desde o início, fica clara a intenção de impactar com um terror mais explícito que o visto nas telonas, quase como se justificasse a criação da série por meio dessa abordagem. No entanto, a equipe parece focar demais em monstros gerados por CGI, deixando pouco espaço para suspense e mistério. O objetivo é exibir as várias formas que a entidade maligna pode assumir, mas, apesar dos efeitos visuais interessantes, não há tempo suficiente para que essas aparições causem um impacto real e duradouro.
A decisão de ocultar Pennywise até meados da temporada poderia ser astuta, não fosse a falta de sutileza nas referências ao personagem e ao gênero de terror. Muito do que Muschetti acertou em IT: A Coisa estava na atmosfera criada pelas primeiras aparições do palhaço. Ele surgia gradualmente, e o medo crescia de maneira quase orgânica. Em contraste, Derry opta por descartar essa construção, possivelmente devido ao modelo de universo expandido voltado aos fãs, onde as referências são mais valorizadas que uma nova abordagem ao gênero.
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O elenco, especialmente os adultos, é bem escolhido. As crianças, embora pareçam replicar estereótipos vistos nos filmes, têm pouco espaço para desenvolver uma química própria, atuando mais como peças de um tabuleiro que Muschetti usa para delinear um suposto universo expandido de Stephen King, que embora presente nos livros, é apresentado de forma muito estilizada e hollywoodiana aqui.
Essa conexão com o MCU e outras franquias se torna evidente ao considerar que os Muschietti também estavam envolvidos na produção de Flash, da Warner. Fuchs, por sua vez, trabalhou em Mulher-Maravilha com Zack Snyder, escreveu roteiros para filmes como Lobo e Um Filme Minecraft, e está escalado para o live-action de My Hero Academia na Netflix.
Portanto, todos esses criadores estão imersos no universo das franquias, característica desta era atual de Hollywood que prioriza sequências e derivados. É por isso que IT: Bem-Vindos a Derry foca tanto em sua própria mitologia, talvez à custa do desenvolvimento de seus personagens, colocando-a mais próxima de uma série da Marvel que a HBO poderia produzir. Se essa mitologia fosse construída com mais atenção ao gênero e ao que torna o terror de IT tão envolvente, possivelmente a série teria um impacto maior, embora ainda seja interessante explorar as referências à obra principal e ver como Pennywise influenciou diferentes gerações.
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.