Julio Iglesias enfrenta nova denúncia de ex-funcionárias por agressão sexual

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Duas ex-funcionárias do cantor espanhol Julio Iglesias apresentaram uma nova denúncia contra ele por agressão sexual e trabalho forçado nesta quinta-feira, 3 de setembro, perante a Justiça espanhola, anunciou a ONG Women’s Link Worldwide. As mulheres, identificadas como Rebeca e Laura, alegam ter sofrido assédio e agressões sexuais contínuas, além de condições de trabalho degradantes, durante sua permanência nas propriedades de Iglesias nas Bahamas e na República Dominicana em 2021.

Esta é a segunda ação judicial contra o cantor de 82 anos, que vendeu mais de 300 milhões de discos. A primeira denúncia foi apresentada em janeiro de 2026, mas a Procuradoria da Audiência Nacional espanhola arquivou o caso em 23 de janeiro, argumentando que não tinha competência para julgar crimes cometidos fora do território espanhol.

Two women sitting in a dimly lit office, facing away from camera toward an empty judge's bench, documents scattered on a table before them, one woman's hand resting on papers, morning light filtering through vertical blinds, atmosphere of legal anticipation and determination

De acordo com a denúncia apresentada à Divisão de Investigação do Tribunal Central de Primeira Instância da Espanha, as mulheres alegam que Iglesias aproveitou sua posição de poder e sua vulnerabilidade para recrutá-las, transportá-las e alojá-las em suas propriedades, em um clima de intimidação contínua. Segundo o relato, elas foram submetidas a assédio sexual, agressões sexuais e condições de trabalho forçado e degradantes.

A Women’s Link Worldwide argumenta que os tribunais espanhóis têm competência para investigar o caso com base no Artigo 23 da Lei Orgânica do Poder Judicial da Espanha, que permite investigar e processar crimes cometidos fora do território nacional quando existem vínculos relevantes com a Espanha. Segundo a organização, se um cidadão espanhol comete um crime no exterior, o país pode julgá-lo, desde que o mesmo ato também seja considerado crime no país onde ocorreu.

Jovana Ríos Cisneros, diretora-executiva da Women’s Link Worldwide, afirmou que garantir que Rebeca e Laura tenham acesso à justiça em condições de segurança e dignidade é fundamental. “O Estado espanhol tem a obrigação de garantir o acesso à Justiça em condições de igualdade, independentemente de quem seja a pessoa denunciada”, declarou em comunicado da organização.

Close-up of a woman's hands holding a folder with legal documents, sitting at a wooden table in soft natural light, papers slightly worn, a pen resting nearby, subtle texture of the documents visible, quiet moment of resolve

As acusações alegadas incluem crimes de tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado e servidão, crimes contra a liberdade e integridade sexual, lesões corporais, tratamento degradante e crimes contra os direitos dos trabalhadores pela imposição de condições de trabalho abusivas. Um tribunal especializado agora será responsável por revisar as informações apresentadas para determinar se abrirá uma investigação formal.

Iglesias negou repetidamente todas as acusações. Em janeiro de 2026, o cantor classificou as denúncias como “absolutamente falsas” e negou “ter abusado, coagido ou desrespeitado qualquer mulher”. A defesa do artista também contestou a competência dos tribunais espanhóis nos processos anteriores.

A ação judicial ocorre em um contexto em que a Women’s Link Worldwide possui mais de 25 anos de experiência em litígio estratégico de violações de direitos humanos em sistemas judiciais da América Latina, Caribe, Europa e África Oriental. A organização mantém que a Espanha tem obrigação de cumprir os tratados internacionais de direitos humanos que ratificou, incluindo aqueles que proíbem tráfico de pessoas, escravidão e servidão.

Fontes

  • UOL Notícias (AFP) — Denúncia de duas ex-funcionárias de Julio Iglesias por agressão sexual e trabalho forçado em 4 de setembro de 2026
  • Women’s Link Worldwide — Declaração oficial sobre a apresentação da denúncia criminal em 3 de setembro de 2026 e posição legal da organização
  • BBC News — Confirmação de que Iglesias negou as acusações e informações sobre a investigação inicial espanhola
  • France24 — Cobertura da nova denúncia apresentada em 4 de setembro de 2026

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