O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito preliminar na segunda-feira (9 de fevereiro) para investigar a superlotação e os tumultos ocorridos no domingo anterior na Rua da Consolação, durante o pré-carnaval da cidade, quando dois megablocos — o Skol, com apresentação do DJ escocês Calvin Harris, e o Acadêmicos do Baixo Augusta — desfilaram simultaneamente no mesmo local.
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O encontro dos dois megablocos em horários muito próximos causou congestionamento, confusão e episódios de tumulto que deixaram foliões feridos. Segundo a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital, o procedimento foi instaurado para apurar especificamente a superlotação do bloco de carnaval ocorrido naquele domingo.
A superlotação foi tão severa que grades de proteção cederam sob a pressão da multidão, e foliões relataram sensação de sufoco ao tentar deixar o local. Os bombeiros atenderam 30 pessoas durante o incidente, com alguns foliões tendo que escalar semáforos e estruturas para fugir da aglomeração.

Parlamentares da oposição, como o vereador Nabil Bonduki (PT) e a deputada federal Érika Hilton (PSOL), acionaram o Ministério Público para investigar a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pela organização do carnaval de rua, que está sob responsabilidade da SPTuris. Os parlamentares afirmaram que a decisão de autorizar dois megablocos simultâneos na mesma via contrariou as próprias regras de segurança da prefeitura.
Especialistas em gestão de multidões apontam que o confinamento do público em corredores fechados por gradis metálicos aumenta significativamente o risco de pânico e pisoteamentos. Segundo a professora e pesquisadora de turismo urbano da Universidade de São Paulo (USP), Mariana Aldrigui, densidades elevadas de público tornam o risco inevitável: “Seis pessoas por metro quadrado já é uma situação extremamente desconfortável. Se uma pessoa derrapa, a gente passa a ter pisoteamento”, explicou.
O arquiteto e urbanista Igor Guatelli, professor da FAU-Mackenzie, criticou o modelo de contenção adotado em São Paulo. Segundo ele, os gradis metálicos são dispositivos ultrapassados que funcionam como obstáculos, reduzindo a fluidez do público e criando novos riscos em vez de resolvê-los. “Você cria um túnel, um corredor, e não tem para onde ir. Aí as pessoas entram em desespero”, afirmou.

O modelo de organização adotado em São Paulo também é mais restritivo do que o aplicado em outras capitais conhecidas por eventos de grande porte. Cidades como Recife, Olinda, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador concentram o controle de acesso nas entradas dos circuitos ou na proteção pontual de áreas sensíveis, sem criar corredores fechados contínuos ao longo dos trajetos dos blocos.
Em resposta aos episódios, a Prefeitura de São Paulo anunciou novas medidas de segurança para os próximos desfiles de carnaval. Entre as ações estão a ampliação das saídas para o público, a presença de agentes da Prefeitura dentro de cada trio elétrico dos megablocos para monitorar e intervir em caso de risco, e o reposicionamento de postos de saúde para agilizar o atendimento aos foliões.
O Ministério Público também recomendou que a Prefeitura adote critérios técnicos para definir a ocupação máxima segura das vias e revise o planejamento e a fiscalização dos desfiles de carnaval. A investigação segue em andamento para apurar as responsabilidades pela organização inadequada do evento.
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Fontes
- G1 — inquérito do MP-SP sobre superlotação em megablocos na Consolação, detalhes do incidente com Calvin Harris e Acadêmicos do Baixo Augusta, análise de especialistas sobre uso de gradis
- Folha de S.Paulo — investigação do Ministério Público sobre tumulto no pré-carnaval com dois megablocos na Consolação
- Estadão — críticas do fundador do Acadêmicos do Baixo Augusta sobre a organização da Prefeitura, medidas de segurança anunciadas
- Carta Capital — investigação do MP-SP sobre superlotação em blocos de rua, atendimentos dos bombeiros
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