O Urso Conquista Estrela Michelin na Temporada Final Perfeita!

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Produção encerra sua trajetória de forma madura, cinematográfica e com o charme que cativou o público

Ansiedade. Essa é a palavra que melhor descreve O Urso. A série capturou o coração de seus espectadores com uma representação intensa do caos que permeia o cotidiano de uma cozinha. Entre berros, palavrões e muita bagunça, a primeira temporada estreou com um estilo novo, pop e agitado, quase como uma hiperventilação. Esse clima se estendeu para além das paredes do restaurante, invadindo a vida dos personagens no segundo ano. No terceiro ano, apesar de ainda excelente, a série pareceu um pouco perdida. No quarto ano, houve uma pausa, um momento de fazer as pazes. E agora, na quinta temporada, a ansiedade volta para um último atendimento.

A situação não está fácil para o restaurante de Carmy (Jeremy Allen White), Syd (Ayo Edebiri) e Richie (Ebon Moss-Bachrach). O chef está saindo da cozinha, sua “aprendiz” duvida de seu próprio potencial e Richie continua tentando transformar o ambiente no melhor possível. O dinheiro acabou, os fornecedores não entregam mais e a hora de fechar as portas do The Bear se aproxima. Do lado de fora, uma chuva intensa castiga Chicago. A água começa a invadir o restaurante e tudo parece prestes a ruir. É neste “último dia” que se desenrola a temporada final, como um longo episódio de encerramento de mais de 5 horas.

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A trilha sonora da série, antes dominada por artistas como R.E.M., John Mayer e Wilco, agora dá espaço a uma vibrante trilha sonora original composta por Hans Zimmer, que define o ritmo da corrida contra o tempo nas últimas horas do restaurante. O que servir quando se está sem ingredientes? O que dizer aos colegas que se esforçaram tanto para construir aquele lugar, mas que agora só recebem um adeus? Com tudo desmoronando, ainda é possível ver a gastronomia como uma forma de arte? A tempestade fora do restaurante materializa tudo o que se acumulou ao longo dos anos; agora, quando todos parecem finalmente aceitar a situação, a chuva chega para interromper o sonho.

Se O Urso cresceu demais após um sucesso estrondoso, acumulando várias participações especiais — de chefs famosos a atores renomados —, a última temporada retorna ao que tornou a série um fenômeno: as quatro paredes da cozinha. Confinada praticamente ao restaurante, a narrativa se sustenta apenas no talento do elenco principal para brilhar. Desde a incerteza de Gary (Corey Hendrix) sobre qual vinho escolher, após as garrafas perderem os rótulos na inundação, até o drama de Marcus (Lionel Boyce) que, embriagado pelo prêmio da temporada anterior, convida o pai ausente para provar seus pratos, cada personagem tem seu momento de destaque. A primeira cena da temporada já coloca Tina (Liza Colón-Zayas) no meio do fogo cruzado: após descobrir seu dom, o que fazer quando tudo vai por água abaixo?

Esse medo preenche a mente de todos no The Bear, incluindo Jimmy (Oliver Platt), que embarca em uma side quest com Computer (Brian Koppelman) e a novata Cheese para tentar resolver a situação financeira calamitosa do restaurante.

Substituindo gradualmente a ansiedade pelo medo de fracassar, Christopher Storer e sua equipe compreendem que, para um final digno, grande parte do trabalho já estava feita. Dos incríveis episódios como “System”, “Review” e “Braciole” da primeira temporada; “Fishes” e “Forks” da segunda; “Tomorrow”, “Ice Chips” e “Forever” da terceira; aos recentes “Worms”, “Bears”, “Tonnato” e “Good Bye” da quarta, os grandes pratos deste banquete já haviam sido servidos. Agora, era necessário transformar toda a fúria, frustrações, reconciliações, erros e acertos em resolução. Este menu degustativo amargo, picante e, por vezes, doce, precisava terminar com um último prato e uma sobremesa espetaculares.

Isso acontece de forma acelerada, em episódios de 25 a 30 minutos que culminam em um sétimo e penúltimo capítulo que demonstra todos os méritos técnicos da produção. Com uma edição e fotografia impecáveis, o elenco atua como nas melhores cozinhas do mundo: todos compreendem perfeitamente seu papel e função, permitindo que cada um entregue seu melhor serviço. É um episódio para entrar para a história da televisão, reunindo quase todo o elenco em um balé que troca os gritos desenfreados por comandos e vozes firmes, momentos de reconhecimento mútuo e, por que não, profunda satisfação.

O fato de este episódio se desenrolar como um balé também evidencia a maturidade alcançada pelos seus artistas. O frenesi na cozinha de O Urso sempre representou o caos na mente de Carmy e seus colegas, mas ao chegar aos seus últimos momentos dançando juntos com a música, e a chuva levando embora todos os seus receios, a equipe do restaurante finalmente cria o espetáculo que tanto buscaram. Para os bears, é uma verdadeira grande estreia, enquanto para nós é o canto do cisne perfeito para uma série (quase) perfeita.

Em uma época em que parece difícil encontrar finais dignos para as séries que amamos, O Urso encontra seu grande mérito neste encerramento justamente ao reduzir seu escopo para uma falsa simplicidade. Mas a pia cheia de pratos sujos mostra que muito foi realizado nesses últimos cinco anos. Quando Syd olha para uma foto de Remy, o ratinho cozinheiro de Ratatouille, e sorri, quase o insultando, a série adota uma postura completamente oposta ao discurso otimista do filme da Pixar de que “todos podem cozinhar”. Após tudo o que passaram, será que qualquer um realmente conseguiria aguentar o tranco e ser como Syd, Carmy, Richie, Marcus, Tina, Neil (Matty Matheson), Sugar (Abby Elliott) e todos os outros bears?

O Urso se consagra como uma das melhores séries já produzidas e alcança o final coroando esse legado com uma temporada perfeita. E assim como os pratos incríveis de Syd, Carmy e Marcus, peço licença ao Omelete — prato que também fez parte da série, diga-se de passagem — para inovar. Além dos tradicionais cinco ovos da nota máxima do site, entrego também a tão almejada estrela que a série buscou e mereceu desde o primeiro minuto. Foi extremamente prazeroso — e incrivelmente ansioso — acompanhar essa jornada.

Nota do Crítico


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