Tron: Ares | Amor entre Virtual e Real Revelado pelo Produtor no Set!

Compartilhe com seus amigos!

Passamos um dia acompanhando as gravações do novo filme estrelado por Jared Leto

[Primeiro artigo da série sobre a visita ao set de Tron: Ares]

Em pleno inverno, deixei minha casa em fevereiro de 2024 para me juntar a um grupo de jornalistas numa visita ao set de Tron: Ares, o terceiro filme da série e o segundo rodado em Vancouver, Canadá. Após cerca de 40 minutos de viagem de van, chegamos ao Mammoth Studios, um extenso complexo localizado em Burnaby, cidade vizinha, que já serviu de cenário para grandes produções como Xógum, a recente trilogia Planeta dos Macacos, Deadpool, O Regresso, Homem de Aço, Percy Jackson (filmes e série), Crepúsculo e muitos outros. Era minha primeira vez em um set de uma superprodução da Disney.

  • [Crítica] Tron: Ares renova mais uma franquia da Disney com um espetáculo visual

A impressão inicial já indicava um filme grandioso, superior ao seu antecessor, Tron: O Legado. A sala de reuniões, centrada por uma grande mesa, estava repleta de storyboards detalhando as inovações de Ares. Os destaques eram dois Grids, os mundos virtuais de Tron, um em tons de preto, vermelho e laranja e outro em cinza claro, azul e branco. Nas paredes, uma grande revelação: Tron: Ares teria momentos cruciais no mundo real, com personagens virtuais interagindo com o nosso. As imagens exibiam pontos turísticos de Vancouver mesclados com as trilhas luminosas típicas dos veículos da franquia, carros de polícia partidos ao meio e uma grande escala de invasão ao mundo real.

  • [Set Visit] Parte 2: Tron: Ares | Produtor discute Cillian Murphy e participações especiais
  • [Set Visit] Parte 3: Tron: Ares | Construção de cenários reais, o Volume e o dia que pilotei um Lightcycle

O primeiro Tron foi lançado há mais de 40 anos, explorando mundos virtuais complexos e os programas que os habitavam, uma visão do que estava por vir no início dos anos 1980 quando poucos possuíam computadores pessoais. Em 2025, a realidade é outra, com a inteligência artificial integrada ao nosso cotidiano. “Este filme trata realmente de emergência”, disse o produtor Justin Springer, ao se juntar a nós, acompanhado pelo designer de produção Darren Gilford. “É sobre quando as fronteiras entre o virtual e o real começam a se confundir, o que está muito alinhado com o que ocorre em nosso mundo atualmente. Então, é muito sobre o que Tron sempre foi, uma espécie de evolução natural, mas também sobre onde acreditamos que a sociedade está caminhando. É sobre o que acontece quando esses sistemas complexos se tornam tão avançados que podem começar a se infiltrar em nosso próprio mundo, e o que ocorre quando essa tecnologia se torna indistinguível de nossa realidade e do mundo natural.”

As artes ilustram os dois grids principais da trama, um controlado pela ENCOM, empresa criada por Kevin Flynn, personagem de Jeff Bridges, e representada no novo filme por Eve, interpretada por Greta Lee. Se no filme dos anos 1980 a emoção era penetrar no jogo criado por Flynn, em Tron: Ares, Eve busca um mundo melhor, com reformas no sistema de saúde, alimentação e energia. Do outro lado está a Dillinger Corporation, liderada por Julian Dillinger, personagem de Evan Peters, neto de Ed Dillinger (David Warner) do filme de 1982. O grande embate entre as duas corporações gira em torno de um código, descrito por Springer como “Santo Graal”, que permitiria que sistemas digitais complexos existissem permanentemente em nosso mundo. “Podemos fazer isso em pequena escala ou por impressão 3D simples, mas quando se trata de sistemas complexos ou programas, eles podem vir ao nosso mundo, mas são bastante instáveis. O que eles buscam é uma solução que permita sua existência contínua em nosso mundo. E isso está no cerne do problema”, explicou o produtor.

A grid da Dillinger se chama Infinity, e a empresa deseja usar essa nova tecnologia para fins militares. Nesse contexto, Ares, personagem de Jared Leto, surge na história. Ares é um programa enviado ao nosso mundo para tentar roubar o código de Eve, mas, eventualmente, os dois acabam fugindo juntos, numa corrida através de dois mundos, colaborando na busca desse código de permanência. “Eve redescobre sua conexão com a humanidade através de um relacionamento com um ser não humano, e Ares encontra seu amor por nosso mundo e pela humanidade, emergindo da grade de programação”, revelou Springer.

Tron: Ares é reboot ou continuação?

As gravações no Mammoth Studios foram apenas uma parte da produção de Tron: Ares em Vancouver. Quando visitamos o set, o processo estava no seu 25º dia, de aproximadamente 80 dias totais. Tron: Ares então deixaria as grandes paredes do estúdio para iniciar uma jornada de 30 dias de filmagens pelo centro da cidade, explorando o distrito financeiro, o porto e algumas das vias mais movimentadas da área. Em O Legado, a trama passava apenas 20 minutos no mundo real, nos momentos iniciais e finais da história. Com Ares, a proposta é que o personagem de Leto explore mais amplamente o mundo real.

“Nossa primeira ideia foi: ‘e se você pudesse ver as luzes de uma moto de luz em uma perseguição pela cidade com o rastro de luz atrás dela?’”, comentou Justin Springer. “[Tron] foi um filme, depois um videogame, e filmes, e tem um passeio de parque temático e todas essas coisas. Acho que se você olhar ao redor, todo mundo saberia que está em uma sala de Tron agora, porque há uma estética que é diferente de qualquer outro grande filme de super-herói ou grande franquia de estúdio. Ainda dá sua própria identidade.”

O produtor esclarece que a história funciona sim como um soft-reboot, mas que é uma continuação da história. “Para nós, definitivamente é um novo capítulo. Um ‘soft-reboot’ provavelmente seria o que todos prefeririam dizer, mas acho que há definitivamente uma intenção de levar adiante parte da mitologia, pelo menos, enquanto contamos uma história totalmente nova. Então, sim, soft-reboot”, afirmou, mas percebendo que poderia estar indo longe demais nas informações.

Em desenvolvimento há mais de 10 anos, Tron: Ares vai utilizar todas as tecnologias ao alcance da Disney para dar um novo passo na franquia. Pudemos ver no set desde grandes cenários práticos, com gigantes telas de led, o uso do Volume, até a construção de veículos reais, roupas que se integravam a iluminação e imensos cenários com telas azuis. Em um desses espaços, pudemos acompanhar a gravação de uma cena de ação com vários figurantes/dublês vestidos com as roupas da ENCOM e da Dillinger em uma luta – o golpe principal da cena pode, inclusive, ser visto neste trailer.

A cena em si mostra um ataque liderado por Ares – Jared Leto não estava lá no dia para a pirueta – e sua força contra o exército da empresa rival. O processo para filmar o golpe acrobático de Ares foi repetido mais de 10 vezes enquanto estávamos por lá, sempre buscando uma perfeição na coreografia. Quem aguardava ansiosamente atrás das câmeras era Cameron Monaghan, conhecido dos fãs de Star Wars, pelos games Fallen Order e Jedi: Survivor, que estará no filme como parte do exército de Ares.

Novos contextos, novos designs, mas paixões antigas em Tron

Quinze anos separam Tron: O Legado de Tron: Ares e a produção pretende deixar isso claro em vários aspectos. A cidade de San Vancouver, criada desde o segundo filme como uma mistura de San Francisco e Vancouver, por exemplo, terá grandes prédios e arranha-céus que usarão extensões digitais para os prédios reais da cidade. Muito do visual será novo, mas Spinger deixa claro que, quem assistiu aos outros dois filmes, identificará muitos elementos e easter eggs na história.

“Há muitas coisas que trouxemos do mundo de Tron e encontramos um novo contexto para isso e, obviamente, um novo design. Darren [Gilford] foi o designer de produção em Tron: O Legado e ele é o designer de produção neste filme. Compartilhamos um amor pelo filme original. E há muitas pessoas nesta equipe que estiveram no último filme”, contou Springer. “Tron é apenas um filme… a razão pela qual ele sempre volta é porque sempre há um grupo de artistas, tecnólogos e pessoas, certamente pessoas que fazem filmes, que foram inspiradas por ele quando eram jovens e agora querem uma chance de trabalhar nele novamente.”

O produtor garante que o diretor Joachim Rønning e a equipe preparam uma nova experiência para os antigos e novos espectadores de Tron, para fazer com que a ida ao cinema seja uma prioridade na hora de assistir ao filme. “Acho que você tem uma obrigação com Tron de lançá-lo de uma forma que possa ser exibido nas maiores telas possíveis, na mais alta resolução, usando algumas das tecnologias mais interessantes disponíveis para nós, desde a câmera, som, sabe, para todos os aspectos. Então, é realmente feito para ser uma experiência gigante, cinematográfica, ‘precisa ver no cinema’”, contou, confirmando os lançamentos em IMAX e 3D como prioritários. Vale lembrar que o grande atrativo de O Legado foi o lançamento em 3D, marcante na época. Com o avanço e a popularização do IMAX, é inevitável que a tecnologia de grande formato seja aproveitada para a ação da nova história.

O som também recebeu atenção especial e o produtor fez mistério, na época, sobre os responsáveis pela trilha sonora. “Igualmente importante. Há um legado de Wendy Carlos para Daft Punk para o que faremos a seguir, que ainda não foi anunciado, mas e eu não vou dizer agora”, afirmou. Hoje, já sabemos que a trilha sonora foi composta pelo Nine Inch Nails e a primeira música já foi divulgada junto com o trailer. “E eu sinto uma enorme obrigação de tentar entregar e fazer algo, sabe, Daft foi muito diferente do que Wendy Carlos fez. E acho que o que faremos será diferente, mas com sorte, parecerá tão interessante e tão importante para o filme em si. Então, estamos definitivamente… tem sido uma conversa para sempre, sabe? Daft Punk se aposentou como uma banda.”

O material da visita ao set de Tron: Ares continua nos próximos textos onde abordaremos um novo grid, a criação dos novos Lightcycles e o

Artigos semelhantes

Avaliar esta publicação
Compartilhe com seus amigos!

Deixe um comentário

Share to...