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Vingadora nos prepara desde o início para o tipo de filme que será. A obra inicia com Milla Jovovich em pé contra um fundo escuro, falando diretamente para a câmera sobre o passado de sua personagem, Nikki, em uma equipe de operações especiais e perigosas do exército americano. É durante esse monólogo, intercalado por cenas dela em ação, que somos informados da morte de seu marido e de sua “aposentadoria” para cuidar da filha, agora uma adolescente interpretada por Isabel Myers (Mixed-ish) – e é aí que a trama realmente se inicia.
O diretor Adrian Grünberg (Rambo: Até o Fim) introduz a quebra da quarta parede sem qualquer formalidade ou preâmbulo, um recurso que se repete ao longo dos pouco mais de 90 minutos de filme. Sua direção se entrega ao estilo direto do cinema de ação de série B: edições concisas, embora nunca caóticas, complementadas por uma cinematografia crua e atuações focadas em exprimir as emoções mais básicas de forma intensa.
Ele opera, no entanto, a partir de um roteiro de Mun Bong-seob, cujo nome denuncia sua origem sul-coreana. Também produtor de Vingadora, Mun tenta adicionar ao filme uma série de elementos estilísticos e reviravoltas reminiscentes dos thrillers de ação de seu país. Daí vem a quebra inicial da quarta parede e as manipulações temporais que definem momentos-chave do filme.
A diferença entre Vingadora e filmes como Força Bruta ou Oldboy, obviamente, reside no fato de que as produções sul-coreanas geralmente contam com cineastas e atores mais comprometidos com a extravagância. Ter profissionais criativos que compreendem e abraçam a artificialidade de certos clichês do gênero conquista a boa vontade do público, que, consciente ou não, também se reconcilia com esse aspecto fabricado e se abre para a mensagem pop que ele pode transmitir – descobrindo, por vezes, ideias profundas sob a superfície.
Contudo, “sofisticado” não é um adjetivo que se aplique a este filme. Vingadora, que realmente começa quando a filha de Nikki é sequestrada por uma gangue de tráfico sexual, foca em uma narrativa simples de vigilância, tocando apenas superficialmente na repulsa natural do público contra esse tipo de crime.
Grünberg parece mais do que satisfeito em seguir a mesma fórmula de intercalação de imagens de arquivo inflamatórias que caracteriza todos os outros filmes do gênero — embora, felizmente, Vingadora evite cair nos mesmos discursos racistas de Rambo, do mesmo diretor. Seu elenco também parece confortável em assumir os arquétipos que lhes são apresentados, incluindo a própria Jovovich, que utiliza o amadurecimento de seu corpo para provar que está mais convincente do que nunca como a heroína invencível da vez.
A cooperação internacional pode parecer um pouco deslocada, mas ainda assim adiciona um tempero interessante ao filme. Sempre que Vingadora decide se arriscar (inclusive em seu final surpreendente), é impossível não admirar sua ousadia. Existem, afinal, prazeres únicos no produto meio Frankenstein que ele se tornou.
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.