Profundezas: série de monstro e mistério da Netflix com vibe Sessão da Tarde

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Minissérie com Josh Hartnett mistura aventura e drama de comunidade, mas se perde ao escolher a via mais simples

Profundezas poderia ter sido apenas mais um thriller marinho previsível: criatura colossal ataca uma vila de pescadores, o protagonista corre para proteger a família e a narrativa segue fórmulas conhecidas. A minissérie da Netflix evita essa cilada em boa parte porque sabe explorar seu terreno — a costa enevoada de Terra Nova, no Canadá, e a pitoresca Snooks Arm criam uma ambientação que dá substância ao medo e transforma o lugar em quase um personagem.

Criada por Jesse McKeown (com passagem por The Umbrella Academy), a produção acompanha Calvin Penney (Josh Hartnett), um pescador viúvo, afetuoso e resoluto, assombrado por lembranças do passado. Ele tenta colocar um pouco de juízo na cabeça do filho mais velho, Wade (Charlie Heaton), enquanto toda a família busca uma saída após repetidos fracassos para prosperar. A comunidade enfrenta duas ameaças: uma votação que pode obrigar os moradores a abandonar suas terras e um enigma que cresce nas águas. Ao lado da bióloga marinha Fonda (Mackenzie Davis), Calvin tenta desvendar o que se esconde sob a superfície.

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O ponto alto de Profundezas está na forma como McKeown transforma nossas lacunas de conhecimento sobre o abismo em ferramenta narrativa. Os oceanos ainda guardam segredos reais, e a série se aproveita desse espaço para erguer um “monstro” de origem ancestral — um mito antigo ressurgindo para assombrar os locais. Não é uma ideia inédita, mas funciona aqui porque o mistério em torno da criatura é tão instigante quanto as cenas de ataque. Há um acerto em misturar gêneros: a trama não se limita a sustos e violência gráfica, e se interessa tanto pelo folclore quanto pela ação.

Costa enevoada e mar profundo que sugere mistério nas águas
A série usa a costa enevoada como elemento de suspense e personagem.

Esse equilíbrio nasce, sobretudo, do retrato da comunidade. McKeown descreve com afeto uma cidade em decadência, porém coesa, e um homem disposto a defendê-la. Hartnett assume o papel com segurança, revelando em Calvin a combinação correta de teimosia e afeto. É por meio dele que a série aborda temas como família, mudança e o receio de perder o lar, sem cair num tom excessivamente sombrio ou melodramático.

A leveza é uma característica marcante do programa — tanto para o bem quanto para o mal. Profundezas evita ser pesado demais, mas também não se rende ao açucaramento; o equilíbrio resulta numa sensação constante de estarmos diante de um filme de aventura ao estilo “Sessão da Tarde”, uma junção de Free Willy com Godzilla. Os seis episódios, relativamente curtos, ajudam a manter o ritmo e transformam a maratona em algo rápido e agradável, prendendo a atenção desde os primeiros minutos.

O problema surge quando a série cede cedo demais à simplicidade. No terço final, essa leveza passa a pesar contra a própria história. Se antes o lado “Godzilla” dava mais impacto, o encerramento caminha para uma resolução mais próxima de Free Willy: um desfecho que soa anticlimático e, por vezes, até ingênuo — uma frustração em se tratando de uma trama sobre um monstro, em que o público tende a esperar um fechamento mais grandioso.

Ainda assim, Profundezas cumpre o que propõe: entrega uma aventura envolvente, com pitadas de humor e muita atmosfera, perfeita para uma maratona num fim de semana chuvoso. Só não vá esperando que a história explore as profundezas de forma realmente profunda.

Avaliação do Crítico

Bom

André Zuliani

Profundezas (2026)

Below

Criado por:
Jesse McKeown

Onde assistir:

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