Carousel Falha em Encontrar Seu Tom, Apesar de Grandes Atuações e Insights!

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Diretora Rachel Lambert se aventura em narrativa folclórica americana moderna

A performance de Chris Pine em Carousel é notável. Interpretando Noah, um médico e pai solteiro que é o foco central do drama apresentado no Festival de Sundance 2026, o antigo ícone de Star Trek e Mulher-Maravilha demonstra uma compreensão do filme que parece superar até mesmo a da diretora e roteirista, Rachel Lambert. Se o filme é uma fatia da cultura americana (um termo afetuoso que os americanos usam para suas histórias folclóricas), ele é o verdadeiro protagonista que traz a essência necessária; se for um romance que troca o sentimentalismo juvenil pela maturidade, ele destaca cada frustação e mal-entendido para intensificar os corações quebrados criados por eles; se trata-se de um drama sobre paternidade, ele personifica a figura do pai dedicado lutando para se manter presente mesmo ciente de suas possíveis falhas.

Pine brilha ao encarnar todas as necessidades do filme, assegurando que o público seja atraído para seu universo – mesmo quando muitos aspectos ao redor parecem almejar o distanciamento. Lambert, que já havia criado um universo melancólico e opressivo em Às Vezes eu Quero Sumir, busca estabelecer um ritmo similar aqui, conduzindo o filme por um caminho contemplativo e preenchendo cada quadro com as tonalidades escuras e acolhedoras da fotografia de seu colaborador frequente, Dustin Lane. Carousel se desenrola em um mundo de tons caramelizados, tanto em cor quanto em textura, mas o filme peca ao não se entregar completamente à sua narrativa e personagens.

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No enredo do filme, Noah enfrenta várias crises ao mesmo tempo: sua filha adolescente, Maya (Abby Ryder Fortson, também destacada), começa a mostrar sinais de problemas com controle de raiva enquanto enfrenta a ausência da mãe e encontra no clube de debate da escola um refúgio inesperado; seu sócio, Sam (Sam Waterston), decide se aposentar, deixando a clínica que gerenciavam juntos afundada em dívidas; e sua ex-namorada, Rebecca (Jenny Slate), retorna à cidade natal de ambos após uma temporada em Washington, reavivando sentimentos que Noah acha difícil de manejar no momento.

Em diversos momentos de Carousel, os personagens observam que Noah “parece cansado”. Em um desses diálogos, ele responde com uma reflexão que captura a essência do filme: “E quem não está?”. Lambert visa criar uma obra sobre as simultâneas adversidades do mundo adulto, o constante esgotamento mental de quem precisa enfrentá-las diariamente, e o peso esmagador de não poder soltar nenhum dos fios de uma trama cada vez mais complexa. É uma abordagem válida, ancorada em uma estética que se apoia nas referências necessárias – mas isso é apenas parte do caminho.

Lambert, ao longo dos longos 105 minutos de seu filme, falha ao tratar o que é essencialmente um exercício de empatia como um processo puramente intelectual. Seus atores, especialmente Pine, são o que salvam Carousel de ser completamente desprovido de emoção.

*Carousel foi exibido no Festival de Sundance 2026. Ainda não há previsão de lançamento do filme no circuito comercial brasileiro.

Nota do Crítico

Bom

Caio Coletti

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