Erupção de Talentos: Charli XCX Surpreende em Confronto de Maturidades!

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O filme de Pete Ohs não deixa marca, mas apresenta uma narrativa coerente

“Qual é a piada? Vulcões matam pessoas“, indaga um surpreso Claude (Jeremy O. Harris) para as amigas Nel (Lena Góra) e Bethany (Charli XCX) ao ouvir sobre a mitologia que elas criaram sobre sua amizade co-dependente. Segundo a lenda delas, cada encontro entre as duas faz com que um vulcão erupa em algum lugar do planeta. Felizmente para todos, Nel é uma florista de Varsóvia, na Polônia, enquanto Bethany reside no Reino Unido e visitou o país do Leste Europeu apenas cinco vezes ao longo de sua vida.

A realidade trazida por Claude, um boêmio que elas conheceram em sua última viagem à Polônia, é crucial. Bethany foi à Varsóvia desta vez com o namorado Rob (Will Madden), mas tem se apoiado na amizade com Nel para evitar Rob, já que ele está prestes a pedi-la em casamento – um passo para o qual ela não se sente pronta. Este é o pano de fundo do conflito em Erupcja, a mais nova obra de Pete Ohs (Everything Beautiful is Far Away) e a estreia de Charli XCX como atriz.

Recomendações

Como um teste para a cantora pop britânica, que parece decidida a se lançar nesta nova carreira, Erupcja é perfeito. O estilo de Ohs, que evita floreios estéticos e mantém uma duração modesta em seus filmes (este mal chega a ser considerado um longa, com apenas 70 minutos), assegura que XCX possa atuar sem grandes expectativas; seu processo colaborativo também permite que uma atriz novata como ela incorpore muito de si mesma na personagem, a ponto de convencer o público. Não é por acaso que os créditos do roteiro são compartilhados entre Ohs e todo o elenco principal, incluindo a famosa protagonista.

Nesse aspecto, a artista que nos presenteou com o “verão bruto” se destaca com louvor. Um dos acertos de XCX é evitar o clichê da impulsividade ao retratar as escolhas de Bethany, uma personagem que poderia facilmente ser vilanizada. Em vez de torná-la simplesmente tempestuosa (alguns diriam, vulcânica), a cantora destaca os medos e hesitações de Bethany, além da consciência aguda que ela desenvolve sobre sua própria imaturidade. Erupcja não entrega um final feliz, porque reconhecer um erro não é suficiente para corrigi-lo – mas sua protagonista dá o primeiro passo nessa direção, e XCX sabe interpretar a importância desse gesto.

Porém, a mesma simplicidade que torna o filme um bom veículo inicial para sua estrela também resulta numa armadilha da qual ele não consegue escapar. Por exemplo, Erupcja é marcado por uma narração em off em polonês, feita pelo ator Jacek Zubiel com um tom solene, que cria um distanciamento emocional em relação à trama e foca em detalhes aparentemente triviais da história. Talvez a intenção seja posicionar o filme como um daqueles dramas indie que cativaram um nicho específico de cinéfilos nos anos 2000 – mas o charme que ele tenta evocar nunca vai além de uma mera tentativa.

Da mesma forma, as tentativas de Ohs de introduzir poesia na narrativa, especialmente uma longa cena em que a personagem de XCX recita versos diretamente para a câmera, podem até combinar com a história e não decepcionam na performance, mas parecem contradizer a proposta de simplicidade do filme. Modesto em teoria, Erupcja acaba revelando na prática uma obra que se recusa a se contentar com essa simplicidade – uma pena, pois essa inquietação acaba por dissipar muito do bom favor que o público estava mais do que disposto a oferecer.

Avaliação do Crítico

Bom

Caio Coletti

Erupcja

Duração:
71 min
Direção:
Pete Ohs
Roteiro:
Charli XCX, Will Madden, Lena Góra, Jeremy O. Harris, Pete Ohs
Elenco:
Lena Góra, Jeremy O. Harris, Charli XCX, Will Madden

Onde assistir:

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