A nova série Senna, disponível globalmente na Netflix desde a última sexta-feira (29), explora a vida de Ayrton Senna, uma lenda do automobilismo. Composta por seis episódios de 45 minutos cada, a produção se notabiliza pelo emprego de tecnologias avançadas, efeitos visuais inovadores e uma trilha sonora meticulosamente elaborada para captar a essência das competições de corrida e os dramas pessoais do tricampeão mundial de Fórmula 1.

Dirigida por Vicente Amorim, a série combina tecnologia de última geração com uma narrativa detalhada, proporcionando uma experiência envolvente que promete fascinar tanto os entusiastas do automobilismo quanto o grande público.

Tecnologia de LED proporciona um realismo sem precedentes

Uma das inovações mais notáveis de Senna é a introdução pioneira da tecnologia LED nas filmagens de cenas de Fórmula 1 no Brasil. Esta técnica, que mescla segurança com controle artístico, possibilitou a captação de close-ups dos atores em estúdio, enquanto as cenas de corrida eram executadas por dublês em circuitos reais.

O diretor de fotografia, Azul Serra, descreveu a complexidade do processo. “Colocar os atores para dirigir um carro de Fórmula 1 real seria impraticável. Não seria seguro nem suficientemente rápido.” Para contornar esse obstáculo, os close-ups foram filmados em um ambiente controlado usando simuladores (base de movimento) que replicavam os movimentos e a atmosfera das corridas.

Os painéis de LED exibiam imagens reais capturadas nas pistas originais, que eram complementadas por efeitos visuais para recriar os autódromos como eram antigamente. “Tivemos que transportar todos os carros da Argentina para o Brasil, colocá-los dentro do estúdio e trabalhar com essas imagens, enquanto o carro se movimentava e as rodas giravam no simulador de corrida, com a atmosfera ao redor, o que exigiu um grande treinamento dos atores”, explicou Serra.

Vicente Amorim, o diretor-geral da série, salientou a inovação. “Não é a primeira vez que a tecnologia LED é usada no Brasil, mas é definitivamente a primeira em uma produção de Fórmula 1.” Ele acrescentou que “o resultado foi extraordinário” e destacou o alto nível de realismo alcançado: “Acredito que estamos filmando essas corridas de uma maneira nunca antes realizada no Brasil, com um uso intensivo de tecnologia.”

Efeitos visuais de Senna estabelecem um marco no audiovisual brasileiro

Os efeitos visuais de Senna também foram um dos destaques da produção, sob a supervisão de Marcelo Siqueira e com a colaboração da renomada Scanline VFX. Empresas brasileiras também tiveram participação no projeto, estabelecendo um marco tecnológico para o setor no país.

Um dos momentos mais emblemáticos foi a recriação do GP de Mônaco de 1984, famoso por sua chuva torrencial. As cenas, filmadas sob um sol intenso no Uruguai, demandaram uma solução criativa: a construção de uma cobertura preta com mais de 300 metros, a maior já utilizada em um set na América Latina. Esta estrutura permitiu a simulação das condições climáticas da corrida, enquanto os efeitos visuais completavam o cenário.

No estúdio, a equipe reproduziu a iluminação solar para seguir as curvas dos carros. Serra explicou que foi necessário criar uma luz solar artificial no estúdio para que, à medida que o carro contornasse a curva, a iluminação mudasse de lado, replicando a realidade.

Leia mais:

  • Senna: 8 fatos da vida do piloto que foram bem retratados na série da Netflix
  • Como um videogame transformou a vida de um jovem e inspirou documentário da Netflix
  • 5 melhores filmes com Fernanda Montenegro para assistir na Netflix e outros streamings

Trilha sonora proporciona elemento dramático e emocional

A trilha sonora de Senna, composta por Lucas Marcier, foi concebida para destacar os momentos de tensão nas pistas e os aspectos mais íntimos da vida do piloto. A equipe, formada por cerca de 12 profissionais, incluindo músicos e produtores, desenvolveu temas originais que acompanham as vitórias, os conflitos políticos e os relacionamentos pessoais de Ayrton Senna.

Marcier comentou sobre o desafio de compor a sequência do GP de Mônaco de 1984. “Foram praticamente dez minutos contínuos de música”, ressaltou ele. “A corrida em si já é uma ópera.” Além disso, foram criados três temas principais: um para as intrigas políticas, outro para os romances e um tema principal para as sequências de vitória.

A dimensão sonora foi enriquecida pelo trabalho de Gabriel Gutiérrez, designer de som da empresa espanhola Menos Doce DB, que trouxe uma perspectiva internacional ao projeto, assegurando uma experiência imersiva e à altura das cenas visuais.