Diretor Gabriel Martins pede desculpas e revela detalhes de Marte Um!

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Diretor mineiro revela ao Omelete a inspiração familiar por trás de seu filme e a experiência de levar o Brasil para o palco global

O filme brasileiro Marte Um, lançado em 2022, cativou o público nacional e garantiu prêmios no Festival de Gramado e no Grande Otelo. A obra projetou Gabriel Martins, um cineasta de Minas Gerais de 38 anos, no panorama cinematográfico do país. Três anos mais tarde, Martins apresenta seu mais recente trabalho: Vicentina Pede Desculpas.

Se Marte Um cresceu gradualmente em popularidade, Vicentina Pede Desculpas já faz sucesso antes mesmo de sua estreia. O filme foi selecionado para dois eventos de renome mundial: o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) e o 74º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.

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Além disso, a Netflix, que distribuirá Vicentina Pede Desculpas globalmente (internacionalmente como On Behalf of My Son), anunciou que o filme chegará aos cinemas em 5 de novembro e ao streaming em 20 de novembro. Os brasileiros, porém, terão a chance de assistir ao filme mais cedo, durante o Festival do Rio, que ocorre no início de outubro.

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Essas conquistas posicionam o filme como um forte candidato a representar o Brasil no Oscar 2027, estando atualmente entre os 15 finalistas.

Em meio a esse cenário, Gabriel Martins conversou com o Omelete sobre Vicentina Pede Desculpas, como sua avó inspirou o filme e sua experiência ao renovar a colaboração com a atriz Rejane Faria.

Guilherme Jacobs: Gabriel, obrigado por estar aqui. Muitos fãs seus entre nós no Omelete. Pode nos contar sobre a origem deste projeto? Soube que é uma ideia que vem desenvolvendo há uma década e que foi inspirada na sua avó. Como isso aconteceu? Como sua avó influenciou o filme?

Gabriel Martins: Guilherme, é um prazer estar aqui. Minha avó foi a primeira perda significativa que tive na vida. Eu tinha 12 anos quando ela faleceu, e aquela foi a primeira vez que eu participei de um velório. Aquela experiência me marcou e me deu uma perspectiva sobre a morte que carrego comigo desde então. Além disso, a ideia do filme surgiu quando me deparei com um acidente aéreo provocado intencionalmente pelo piloto da Germanwings, o que me impactou profundamente. Isso, somado às imagens no documentário Ônibus 174 da mãe de Sandro no velório de seu filho, me fez pensar sobre o luto individual e coletivo. O filme é sobre isso, sobre o impacto de um evento trágico numa grande cidade como Belo Horizonte, onde tudo para e fica suspenso. É um filme sobre superação coletiva também.

Guilherme Jacobs: Fantástico. Você é de BH e tanto Marte Um quanto esse novo filme são ambientados lá. Qual é seu interesse em retratar a cidade em seus filmes? O que espera alcançar com isso?

Gabriel Martins: Eu sou muito ligado às cidades de Belo Horizonte e Contagem, onde cresci. A região tem uma geografia de montanhas e uma diversidade urbana que me inspiram. Desde jovem, eu observava as mudanças no bairro onde morava, via áreas não desenvolvidas se transformarem em lugares cheios de vida. Isso tudo, junto à movimentação do centro de BH, onde estou agora, me oferece inúmeras histórias. É muito inspirador.

Guilherme Jacobs: E sobre trabalhar novamente com Rejane Faria, o que você descobriu sobre a atuação dela neste projeto que talvez não tenha visto antes?

Gabriel Martins: Rejane interpretou uma personagem muito diferente dela desta vez. Ela teve que se despojar de toda vaidade para encarnar Vicentina, uma mulher que está na sombra, vivendo um momento de luto e perda. Fiquei impressionado com a maneira como ela conseguiu transmitir o vazio e a agonia da personagem, algo que não tinha visto antes em sua atuação, mesmo conhecendo-a há anos.

Guilherme Jacobs: Interessante. Você também teve que dirigir uma cena complexa, a do acidente de ônibus. Como foi esse processo?

  • Assista ao vídeo da cena do ônibus destruído em Vicentina Pede Desculpas

Gabriel Martins: Foi um desafio logístico significativo, principalmente por questões de segurança. A cena foi realizada praticamente, sem uso de efeitos especiais na pós-produção, para dar mais realismo. Fechamos uma via em Belo Horizonte e contamos com a colaboração de diversos profissionais, incluindo engenheiros e efeitistas, para garantir que tudo ocorresse bem.

Guilherme Jacobs: Por fim, fale um pouco sobre representar o Brasil internacionalmente, especialmente em festivais como o de Toronto.

Gabriel Martins: É um orgulho imenso. As histórias do Brasil são importantes e devem ser contadas. Estar em festivais internacionais é uma forma de garantir que o cinema brasileiro seja visto e apreciado mundialmente. Sinto-me honrado em poder representar nosso país e nosso cinema nessas plataformas globais.

Guilherme Jacobs: Excelente. Foi ótimo falar com você. Obrigado pela conversa e boa sorte com o filme!

Gabriel Martins: Obrigado, Guilherme. Até a próxima.

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