Coração Partido: a versão russa de ‘After’ que você precisa ver!

Compartilhe com seus amigos!

O lançamento do romance de Anna Jane nos cinemas do Brasil

Pode soar inusitado inicialmente que um filme russo destinado ao público adolescente e jovem adulto chegue aos cinemas brasileiros, porém, ao observar o pôster de Coração Partido, percebe-se que a trama é surpreendentemente familiar. Dirigido por Mikhail Vaynberg, o filme incorpora elementos típicos de produções como After, Belo Desastre e Através da Minha Janela, tanto seus pontos positivos quanto negativos.

No filme Coração Partido, seguimos a história de Polina (Veronika Zhuravleva), que é forçada a adaptar-se a uma nova vida em outra cidade após sua mãe decidir viver com seu novo companheiro. Na nova escola, Polina enfrenta bullying e é protegida por Bars (Daniel Vegas), o estudante mais intimidador e enigmático, que propõe fingir ser seu namorado para protegê-la.

Recomendações

A trama reúne clichês clássicos de “namoro falso” e “inimigos que se apaixonam” (eles são vizinhos e inicialmente não se gostam), já presentes no romance best-seller de Anna Jane. No entanto, a química entre Zhuravleva e Vegas na tela contribui para uma dinâmica mais fluida, especialmente quando eles começam a compartilhar suas vulnerabilidades.

Dois adolescentes próximos em corredor escolar representando namoro fingido
O clichê do “namoro falso” é central na dinâmica entre Polina e Bars.

Entretanto, há momentos em que o relacionamento entre os personagens é marcado por trocas de olhares hostis e dramatizações exageradas, o que pode provocar desconforto no espectador. As repetidas cenas em que Bars aparece desnecessariamente molhado tentam ser sensuais, mas acabam sendo apenas gratuitas e sem propósito.

Os diálogos, criados pelos roteiristas Mariya Elisovetskaya, Marianna Kadrzhanova, Evgeniya Nazipova, Michael Vaynberg e Ulyana Zvereva, também deixam a desejar. Particularmente na escola, as falas e comportamentos dos personagens soam forçados e inapropriados para suas idades.

Há cenas leves e divertidas, como Polina dançando BTS com suas novas amigas, mas os momentos verdadeiramente envolventes de Coração Partido ocorrem quando a narrativa foca nas famílias dos protagonistas, especificamente nos pais.

Bars tem um pai autoritário e ausente, enquanto Polina constantemente testemunha o novo padrasto maltratando sua mãe e negligenciando seus filhos de um casamento anterior. A habilidade do diretor em tornar essas cenas revoltantes é notável.

O filme culmina em outro clichê típico de romances adolescentes – a interferência familiar nos relacionamentos – deixando um gancho intrigante para uma possível continuação. Resta esperar que uma sequência seja confirmada e também disponibilizada no Brasil, ou que os livros da série sejam rapidamente traduzidos para o português.

Avaliação do Crítico

Regular

Bruna Nobrega

Artigos semelhantes

Avaliar esta publicação
Compartilhe com seus amigos!

Deixe um comentário

Share to...