Descubra por que a voz de Hind Rajab é o destaque do ano!

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Filme sobre operação de resgate na Palestina mescla desolação e suspense

Ao assistir A Voz de Hind Rajab (The Voice of Hind Rajab, 2025), você se encontrará imerso, quase sufocado pela intensidade do ambiente. Sentado no cinema, sentirá a poltrona pressionar seu corpo enquanto um peso cresce em seu peito. A respiração fica difícil, os olhos se abrem mais, e as unhas desaparecem no nervosismo. A direção de Kaouther Ben Hania cria uma atmosfera tão envolvente que é quase natural se sentir parte do desespero vivido pelos personagens na tela.

Entretanto, é quase leviano fazer tal comparação. Nada se assemelha ao que eles realmente enfrentam. Baseando-se em eventos reais e utilizando gravações daquele dia específico, A Voz de Hind Rajab retrata a dolorosa tentativa de salvar uma menina de seis anos, que dá nome ao filme. As gravações foram liberadas pelo governo palestino em janeiro de 2024, e são utilizadas por Ben Hania para dar ainda mais realismo às cenas do grupo que tenta superar inúmeras barreiras burocráticas para conseguir enviar uma ambulância até o local onde Hind se encontra, escondida em um carro com seus primos e tios, tragicamente mortos a tiros.

No escritório da Crescente Vermelha, onde tais esforços são cotidianos, encontramos Omar (Motaz Malhees), o primeiro a atender a ligação desesperada da família de Hind, Rana (Saja Kilani), que mantém contato telefônico com a menina, Nisreen (Clara Khdury), uma assistente social, e Mahdi (Amer Hiehel), o coordenador do grupo. Mahdi passa grande parte do dia relutante em autorizar a missão, não por falta de compaixão, mas porque qualquer desvio não autorizado pelo exército israelense resultaria em execução imediata. Outros socorristas já foram vítimas, e Mahdi hesita em arriscar sua última equipe em Gaza Norte sem garantias de segurança.

Por 90 minutos intermináveis, A Voz de Hind Rajab dramatiza aquela tensa tarde que se estende pela noite, sem nunca sair do centro de operações. Hind é uma presença constante apenas por meio das ligações telefônicas, e a inserção desses elementos reais eleva imediatamente o nível dramático do filme ao extremo. A diretora mescla habilmente as vozes de Hind, de sua mãe que está em casa, e dos socorristas, borrando as linhas entre ficção e documentário.

Essa fusão é tão poderosa que, quando o filme recorre a elementos mais tradicionais de dramatização, o impacto diminui. Há cenas de desmaios e conflitos que parecem mais focados em permitir que os atores, que são excepcionais, exibam suas habilidades emocionais, e alguns truques de edição que buscam provocar uma reação que naturalmente já emergiria. Ben Hania, por vezes, lança mão de artifícios que parecem desnecessários, talvez sem perceber que A Voz de Hind Rajab atinge seu ápice na simplicidade de sua premissa trágica, onde tais artifícios se mostram quase manipuladores.

Apesar desses momentos, A Voz de Hind Rajab se estabelece rapidamente como uma das produções mais impactantes do ano. Provoca um profundo sentimento de impotência, que não é facilmente esquecido. A decisão de Ben Hania de manter a câmera focada na equipe, passando de um telefone a outro enquanto lidam com ministros, familiares e colegas, é o que realmente conduz essa narrativa angustiante.

A tentativa do grupo de manter a compostura, intensificada pela atuação do elenco que transmite suas lágrimas como algo inevitável e até necessário, a cacofonia de discussões e o incessante toque dos telefones nos fazem sentir paralisados e ao mesmo tempo inquietos, como se a ansiedade nos impelisse a querer invadir a tela e agir.

Embora A Voz de Hind Rajab às vezes mostre claramente os caminhos que o espectador deve seguir, e as costuras do enredo se tornem visíveis, enfraquecendo um pouco o filme, não podemos considerar nenhum segundo exagerado, dada a origem dessa voz tão impactante.

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