Desespero e Horror: Artista Luta com Sentimentos em Filme Impactante

Compartilhe com seus amigos!

Análise do filme de Navad Lapid apresentado no Festival de Cannes 2025

Para Y. (Ariel Bronz), um pianista de jazz que se transformou em um tipo de humorista e palhaço para a alta sociedade de Tel Aviv, existem apenas duas palavras fundamentais: sim e não. No início de YES, ele e sua esposa, a bailarina Yasmin (Efrat Dor), se tornaram animadores de eventos, oferecendo dança, música, humilhação e sexo para a elite israelense, e até agora, Y. tem apenas concordado. Portanto, não hesita em aceitar o primeiro trabalho que surge alinhado com seu talento artístico: compor a melodia do novo hino nacional, uma música cuja letra prevê que em um ano nada mais respirará em Gaza.

Este é apenas um dos aspectos mais brandos da crítica que o diretor Nadav Lapid faz a sua própria nação neste filme, uma obra emocionalmente tumultuada que parece ter sido mais vomitada do que meticulosamente construída. Originalmente escrito antes do massacre de 7 de outubro de 2023, e das violentas represálias de Israel desde então, YES foi reconfigurado num filme imperfeitamente potente sobre a incapacidade de um artista de processar, que dirá compreender, as notícias que inundam seu celular todos os dias, e como sua alma é lentamente asfixiada enquanto ele precisa manter as aparências – tanto para os outros quanto para si mesmo. É evidente, na tela, que Lapid precisava fazer esse filme. A ansiedade que permeia a obra sugere que, se ele não o fizesse, sua cabeça explodiria.

Omelete Recomenda

Com a energia de uma balada apocalíptica, a primeira parte de YES mostra o casal principal, recém-pais enfrentando grandes desafios financeiros, ainda com algum brilho de vida nos olhos. Mas após um capítulo intermediário onde escapar da realidade se torna impossível, o filme, antes furioso, termina com uma sensação implacável de derrota. Essa transformação é representada através de uma sátira que, mais do que criticar, parece querer gritar.

Essa sensação de desespero permeia todo o filme, situado na beira de uma surrealidade febril típica de um pesadelo do qual ninguém consegue despertar, mas que todos fingem ignorar. No entanto, ocasionalmente, as máscaras caem. O riso fácil de Y. e Yasmin só é genuíno quando estão dançando e se amando em casa, mas até mesmo lá – especialmente ao verem notícias sobre os mortos no mais recente bombardeio israelense, quando Lapid substitui o som do filme por gravações de palestinos chorando e gritando – uma sombra parece se aproximar.

Há uma urgência que emana do diretor e até do elenco, liderado por dois atores dispostos a descartar toda a beleza de seus seres, sacrificando seus corpos para representar o custo humano de viver fingindo que nada de ruim está acontecendo, especialmente tão perto de suas casas. Na tentativa de expressar tudo isso, Lapid cria algo mais expressivo do que coeso. YES contém longas sequências que, embora carregadas de piadas perturbadoras e figuras caricatas, tornam-se mais exaustivas do que eficazes, e o diálogo em torno dos personagens principais falha quando evita confrontar o “elefante na sala”.

Parece que Lapid continua a gritar algo que já entendemos. Mas quem pode culpá-lo por sua persistência? YES mais se assemelha a uma festa onde não há ninguém de quem gostamos. Queremos ir embora, mas não conseguimos encontrar a saída. A verdade, é claro, é que não há saída. Especialmente para aqueles que veem nuvens de fumaça e fogo pela janela.

Crítica publicada originalmente em 24 de maio de 2025 durante o Festival de Cannes.

Artigos semelhantes

Avaliar esta publicação
Compartilhe com seus amigos!

Deixe um comentário

Share to...