Novo filme traz uma jornada emocionante e visualmente estonteante com Tom Holland no comando
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Um Novo Dia não é apenas um título simbólico para o mais recente filme do Homem-Aranha. Desde que foi introduzido no Universo Cinematográfico Marvel, Peter Parker se viu cercado por gigantes como Homem de Ferro e Doutor Estranho, além de outras versões de si mesmo. Sob a direção de Destin Daniel Cretton, a franquia ganha um novo fôlego, preservando a essência que fez o último filme do personagem um sucesso – uma mistura de nostalgia e uma significativa carga emocional.
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Cretton subverte a lógica dos últimos filmes ao utilizar os fan services como elementos visuais (como o uniforme que combina traços das versões anteriores ou as capas de quadrinhos recriadas nas batalhas contra vilões) e também como momentos de alívio cômico que acompanham o desenvolvimento do protagonista (recordando as teias orgânicas associadas a Tobey Maguire). Nada é apenas um aceno para o conhecimento dos fãs ou uma conexão com um universo mais amplo. Hulk (Mark Ruffalo) e o Justiceiro (Jon Bernthal) aparecem quase como figuras de luxo, com o foco central em Peter Parker e suas tribulações.
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A trama principal gira em torno do dilema emocional do Homem-Aranha, que após escolher ser esquecido por todos, incluindo seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) e seu amor MJ, enfrenta uma nova ameaça em Nova York. Os problemas pessoais do herói se entrelaçam com suas missões, e sua condição mental evolui de maneira preocupante, manifestando-se fisicamente através de olhos escuros, sentidos ampliados e uma raiva descontrolada. Essa fase de maturidade e preocupação com a saúde mental, ironicamente, também chega para o Homem-Aranha da era digital.
A intensidade emocional alcança um patamar que, exceto pelas consequências da morte da Tia May, nenhum outro filme de Holland atingiu. Isso torna a jornada de Peter autêntica e verdadeiramente relatable. Não importa se ele enfrenta Hulk ou o Justiceiro, se fica mais forte ou mais fraco – o que realmente importa são as questões que o aproximam de um cidadão comum. Um Novo Dia finalmente coloca o Peter de Holland como um cidadão sofredor, ansioso e cheio de traumas, ingredientes que se mostraram essenciais para a durabilidade do Homem-Aranha ao longo dos últimos 60 anos.
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Mas essa carga dramática não é o único motivo do sucesso de Homem-Aranha: Um Novo Dia. Destin Daniel Cretton já havia demonstrado habilidade com sequências de ação em Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis, mas aqui ele explora todas as facetas do herói para criar cenas memoráveis que ficarão gravadas na mente dos fãs. As lutas são intensas, bem coreografadas e nunca repetitivas. Os voos de teia através de Nova York alternam entre momentos de descanso visual e perseguições aceleradas, com uma estética visual claramente distante dos cenários de CGI exagerados, tornando Um Novo Dia o filme mais belo estrelado pelo Homem-Aranha de Holland.
É importante mencionar também que Destin e seus roteiristas (Chris McKenna e Erik Sommers) realizaram um excelente trabalho no maior desafio do filme: incluir tantos personagens sem perder a direção. A dupla Homem-Aranha e Justiceiro se destaca pela química entre Holland e Bernthal (amigos na vida real) e certamente gerará pedidos por mais aventuras juntos. Entre os adversários de Peter, que vão desde o temível Hulk ao cômico Boomerang, passando por vilões clássicos como Lapide e Escorpião, cada um tem seus momentos de destaque, mas sempre contribuindo para a narrativa maior. E mesmo que no final o filme pareça um pouco derivativo, a abundância de personagens e suas motivações não chega a ser um problema significativo.
Nos primeiros 40 minutos, Um Novo Dia transborda uma alegria genuína de ser um filme puramente sobre o Homem-Aranha, e esse ritmo se mantém em algum nível até o final. Mais do que isso, o filme se posiciona como um representante do gênero que não precisa se justificar além de seus próprios objetivos. Ele não tenta ser um drama existencial, um thriller policial ou um suspense com elementos de terror. É um filme de super-herói simples e assumido, passando pelas fases clássicas de dúvida, sofrimento e provações dolorosas que, sejamos sinceros, são inseparáveis do Homem-Aranha.
Afastado de bilionários, feiticeiros e espiões, o Homem-Aranha do MCU finalmente tem um filme só para si. Dramático, frenético, um tanto quanto caótico, mas nunca desprovido do que fez os heróis da Marvel um sucesso nos cinemas: uma história sobre pessoas especiais enfrentando problemas comuns, que nunca perde de vista o poder do herói (e não do vilão) como catalisador da transformação. Com o holofote finalmente só para si, este é um Homem-Aranha pelo qual vale a pena torcer e acompanhar.
