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[Texto originalmente publicado durante a cobertura do Festival de Toronto 2025]
“Esse era o meu messias! Meu Jesus Cristo.” Assim Guillermo Del Toro expressou seu fascínio por Frankenstein, clássico de Boris Karloff lançado quase um século atrás, em 1931. Este entusiasmo não é surpreendente, considerando o amor duradouro do cineasta mexicano pelo gótico, pelos monstros e pelo gênero de terror. Desde seu filme de estreia, Cronos, já era evidente sua admiração pelo trabalho de Mary Shelley, autora do romance original de Frankenstein. Após muita espera, com apoio da Netflix — que continua na busca pelo seu almejado Oscar de Melhor Filme — Del Toro finalmente pôde dar vida ao seu projeto dos sonhos.
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Para esta adaptação, Del Toro escalou um elenco notável e popular, com Oscar Isaac no papel de Victor Frankenstein, o cientista que desafia a morte criando uma criatura com restos mortais da guerra. Mia Goth, conhecida pela Trilogia X da A24, interpreta Elizabeth, amor de Victor e de sua Criatura, vivida por Jacob Elordi. O elenco ainda inclui Christoph Waltz como Harlander, além de David Bradley, Ralph Ineson, Charles Dance e Felix Kammerer, este último de Nada de Novo no Front.
Frankenstein se destaca pelo seu brilho visual sob a direção de Del Toro e sua equipe, mas é evidente que ninguém duvidava disso desde o anúncio do filme. Nos últimos 30 anos, o diretor mexicano consolidou-se como um mestre na criação artesanal de cenários, criaturas e narrativas. Desde O Labirinto do Fauno, passando por Hellboy, até os premiados A Forma da Água e Pinóquio, Del Toro provou ser um expert em efeitos práticos e maquiagem realista. Quando explorou o CGI em Círculo de Fogo, também demonstrou seu entendimento sobre física e proporções, atribuindo peso aos robôs e kaijus da trama. Portanto, parece curioso que a promoção do filme insista tanto no aspecto artesanal do diretor, talvez como uma forma de desviar a atenção dos pontos fracos da narrativa.
A história do monstro de Frankenstein já foi retratada diversas vezes no cinema, desde adaptações fiéis até em blockbusters como Van Helsing. Resta pouco espaço para novidades nessa tragédia do Prometeu moderno que, ao tentar perpetuar a vida, acaba gerando mais destruição e morte. Del Toro tenta inovar com alguns elementos, como o elenco de estrelas, mas nem todos são eficazes. Mia Goth e Christoph Waltz, por exemplo, parecem repetir performances anteriores. Waltz não consegue escapar dos maneirismos que lhe renderam dois Oscars sob a direção de Quentin Tarantino, enquanto Goth parece constantemente pronta para reiterar seu grito de “sou uma estrela!”, como fez em Pearl, nos filmes da trilogia X de Ti West.
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A responsabilidade recai totalmente sobre os protagonistas. Oscar Isaac entrega uma performance que mistura Steven Tyler com um cientista excêntrico, que embora afetada, se encaixa bem, especialmente após a aparição da Criatura. Jacob Elordi, com uma maquiagem que lembra os Engenheiros de Prometheus, está excepcional como o monstro em busca de sentido para sua existência. Del Toro faz uma jogada inteligente ao focar nos sentimentos da Criatura e utilizar o talento do ator para realçar as nuances do personagem, que oscila perfeitamente entre a melancolia e a solidão, mas impõe força e medo quando necessário. É interessante notar que os grandes méritos do filme destacam-se em suas distintas partes. Enquanto a história de Victor brilha tecnicamente, é na perspectiva da Criatura que a trama encontra seu ponto mais intrigante, concentrando-se no perdão e na sensibilidade. Curiosamente, é neste momento que o filme tropeça no uso de CGI, com criações bizarras de animais como cervos, ovelhas e lobos.
Frankenstein está longe de ser um filme ruim. A trilha sonora de Alexander Desplat é envolvente e não diminui o mérito de reviver uma história criada há mais de 200 anos com tanta paixão, cuidado e atenção. Contudo, talvez Guillermo Del Toro peque por amar demais a obra. O diretor parece preso à tarefa de provar a grandiosidade de seu conto. Ele já caiu nessa armadilha com A Colina Escarlate e O Beco do Pesadelo, ambos compartilhando as mesmas qualidades de Frankenstein. Falta a sensibilidade do diretor que recontou Pinóquio de maneira sublime, que transformou A Forma da Água em um romance ao estilo de A Bela e a Fera, e que narrou os horrores da guerra pela óptica de uma menina em O Labirinto do Fauno. Frankenstein é belo, porém morno e comum, algo que nem a obra de Mary Shelley e nem os grandes filmes do diretor jamais foram.
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.