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Por que conteúdos sobre crimes reais capturam tanto a atenção do público? Seria o interesse e a curiosidade em detalhes macabros, a análise psicológica do criminoso, ou a forma como os casos são retratados pela mídia? Cada história tem sua peculiaridade, porém a saga de Ed Gein é uma daquelas que captura todos esses elementos. A excelente notícia é que a terceira temporada da série antológica da Netflix, Monstro: A História de Ed Gein, desenvolvida por Ryan Murphy – um gênio do gênero desde seu American Crime Story – compreende esses aspectos desde o início.
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Gein (Charlie Hunnam), notório assassino em série dos EUA, cresceu sob a influência de um pai alcoólatra e uma mãe (Laurie Metcalf) extremamente religiosa e punitiva, que o impedia de ter amizades ou qualquer contato externo. Após a morte do irmão, a responsabilidade de cuidar da mãe cai sobre ele, intensificando um relacionamento já abusivo. Gein desenvolve uma obsessão pela figura materna, mergulha em leituras sobre experimentos nazistas e começa a exumar cadáveres para criar máscaras e vestimentas com peles humanas, especialmente femininas. Essas histórias podem soar familiares, e não é por acaso – elas inspiraram diversas obras. Aprofundaremos nisso em breve.
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Assim como os protagonistas das temporadas anteriores, Charlie Hunnam entrega uma atuação arrebatadora como Gein. O ator, conhecido por seus papéis em filmes de ação, altera sua voz para um tom mais suave e perturbador, transforma sua aparência com maquiagem para esconder sua beleza e adota uma postura física que reflete a insanidade do personagem. Este é, sem dúvidas, um dos melhores papéis de sua carreira, comparável à sua performance em Cidade Perdida Z, de James Gray. A atuação é realçada pela presença marcante de Laurie Metcalf, especialmente nas alucinações de Gein, e pela interação de Hunnam com Suzanna Son, que interpreta Adeline Watkins, a suposta namorada de Ed. Adeline é uma personagem fascinante, cuja história poderia ter sido mais explorada, embora um episódio seja dedicado a ela, a série hesita em aprofundar-se mais em sua vida longe de Ed.
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A série A História de Ed Gein brilha ao explorar o legado do assassino, que inspirou Psicose, O Massacre da Serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes, além de influenciar uma gama de outros criminosos e maníacos. A narrativa intercala a vida de Ed com seu impacto cultural, estabelecendo paralelos entre obsessões, medos e contextos políticos. A psique de Ed é comparada a figuras como Norman Bates, Leatherface e Buffalo Bill, com implicações diretas nas obras de Alfred Hitchcock, Anthony Perkins e Tobe Hooper. Embora em alguns momentos possa parecer didática demais, especialmente nas questões de Perkins e nas inspirações de Hooper, é intrigante ver como a série conecta os eventos. No entanto, a maquiagem usada por Tom Hollander para se transformar em Hitchcock falha e deixa o mestre do suspense mais parecido com o Almirante Ackbar de Star Wars. Sério!
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Embora o voyeurismo possa ser desconfortável para alguns, especialmente com cenas de necrofilia e abundância de sangue, ele se faz necessário dentro de uma narrativa tão gráfica e repleta de máscaras e pedaços de corpos espalhados pela casa. A proximidade com a violência garante que a esquizofrenia de Ed Gein não seja usada como desculpa para suas atrocidades. A série explora a doença do protagonista para manter a dúvida sobre a realidade dos eventos. Mesmo quando parece inclinar-se à simpatia pelos traumas e repressões sofridos pelo assassino, Monstro rapidamente deixa claro que ele foi a inspiração para maníacos como Richard Speck e Ted Bundy.
Com excessos visuais e algumas escolhas questionáveis – como uma faca elétrica cortando um peru no Dia de Ação de Graças logo após mostrar um assassinato – A História de Ed Gein não é apenas um relato das mortes que marcaram a trajetória do assassino em série, mas também um exame profundo dessa estranha fascinação humana pelo macabro. Os crimes de um homem no interior dos EUA não apenas transformaram a indústria do cinema, como também a vida de seus criadores, inspiraram inúmeras investigações e perpetuaram um ciclo vicioso de inspiração e admiração que, talvez, nunca se encerre. Assim como o encanto persistente pelo próprio gênero de True Crime.
Avaliação do Crítico
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.