Por Cima do Seu Cadáver: Muito Sangue e Pouca Graça na Nova Comédia!

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Versão americana de filme norueguês brilha ao focar na relação dos protagonistas

Assistir a Samara Weaving soltando o grito é um dos grandes prazeres do cinema atual. A atriz australiana, não apenas uma beleza estonteante, carrega um quê de rebeldia que adiciona uma camada fascinante às suas personagens. Sua performance, muitas vezes carregada de tensão, atinge o clímax em explosões emocionais poderosas, marcando-a como uma verdadeira scream queen de sua geração.

O grito, neste contexto, não é apenas um recurso dramático, mas uma ferramenta poderosa que Weaving emprega com maestria em Por Cima do Seu Cadáver, contribuindo significativamente para a atmosfera do filme. Infelizmente, o filme em si não consegue capturar consistentemente a essência intrigante de seu material original.

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A trama é uma adaptação do filme norueguês The Trip (2021, disponível no Brasil pela Netflix), contando a história de Dan (Jason Segel), um cineasta fracassado, e Lisa (Weaving), uma atriz, que se retiram para uma cabana isolada nas montanhas com o objetivo de salvar seu casamento falido. No entanto, ambos planejam secretamente assassinar um ao outro, motivados tanto pelo desejo de se livrar do parceiro quanto pela possibilidade de ganhar um seguro de vida que os tiraria das dívidas.

O filme navega pela comédia de relacionamentos tóxicos, similarmente ao que vimos em Os Roses. O roteiro de Nick Kocher e Brian McElhaney, colaboradores desde o Saturday Night Live em 2016, é astuto ao estabelecer as razões plausíveis para o desdém mútuo entre os personagens, cultivando um ambiente de amargura que preenche o primeiro ato. No entanto, a virada doce que o filme toma mais adiante parece pouco convincente.

Weaving e Segel mostram-se uma dupla dinâmica em cena, com ele interpretando o meticuloso Dan e ela como uma mulher à beira de um colapso nervoso. O filme ganha vida nas interações entre eles, entregando a irritação e o humor que se propõe a oferecer, o que é também um testemunho da habilidade do diretor Jorma Taccone (Popstar: Sem Parar, Sem Limites) em conduzir comédias.

Embora Por Cima do Seu Cadáver mantenha o humor ágil que é central à sua premissa, ele falha ao tentar incorporar elementos de um thriller de ação com toques de terror, uma característica mais marcante no filme original. O diretor de The Trip, Tommy Wirkola, conhecido por filmes como Zumbis na Neve, tem um estilo mais cru e visceral, contrastando com a abordagem mais polida e comedida de Taccone.

Ao final, o filme oferece algumas sequências de luta que não conseguem capturar a intensidade necessária para um bom espetáculo de gore, resultando em uma obra que, de modo geral, não consegue tocar profundamente nos gêneros que pretende explorar. Diferentemente do grito de Weaving, que é usado de maneira eficaz e impactante, Por Cima do Seu Cadáver não alcança a catarse que muitos fãs desses gêneros tanto apreciam.

Nota do Crítico

Regular

Caio Coletti

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