Com duração aproximada de três horas, filme se passa em cidade na divisa entre Grécia, Bulgária e Turquia
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Após quase uma década sem lançamentos desde Western, a diretora alemã Valeska Grisebach retorna às telas com The Dreamed Adventure, um filme que se desdobra de maneira distinta do que sugere inicialmente. Apresentando um ritmo lento que faria cineastas como Kelly Reichardt parecerem apressados, o filme explora bem essa lentidão ao permitir que seus personagens se desenvolvam sem muita interferência direta. No entanto, a maneira como Grisebach monta essa narrativa sobre crime e território acaba por prejudicar o impacto artístico da obra quando o enredo se concentra, de fato, em crime e território.
Nos primeiros trinta minutos de The Dreamed Adventure, acompanhamos Said (Syuleyman Alilov Letifo), que volta à sua cidade natal, situada na fronteira entre Grécia, Bulgária e Turquia, sem muita urgência. Ele tem um compromisso que acaba sendo adiado em 24 horas. Seu carro é roubado, e rapidamente fica evidente que existem pessoas mal-intencionadas ao seu redor. Contudo, Said não demonstra preocupação. Ele prefere caminhar, conhecer pessoas novas e admirar a paisagem.
Durante esse período e mesmo após a entrada de Veska (Yana Radeva), uma arqueóloga que também nasceu ali e retornou recentemente, na trama, a narrativa de The Dreamed Adventure adquire um aspecto mais hipnotizador do que tedioso. Gradualmente, somos imersos no dia a dia de um local bastante peculiar e intrigante. Os personagens se mostram genuinamente interessados em diálogos inesperados e desvios de rota, e Grisebach nos envolve eficazmente nessa jornada.
A escolha por atores não profissionais adiciona uma camada de autenticidade ao filme, mas essa mesma escolha, assim como o ritmo lento, começa a apresentar problemas mais adiante. Com o avançar do filme, as circunstâncias de The Dreamed Adventure se tornam mais claras. Percebemos que Said está envolvido em uma transação ilegal de óleo, algo que Veska começa a investigar. Isso irrita o principal mafioso local, uma figura já conhecida por ambos. Said some do filme sem muitas explicações, e o foco se volta para Veska enquanto ela redescobre um lugar de memórias não tão agradáveis.
Em meio a imigrantes ilegais, trabalho escravo e gangues rivais, a área parece pronta para engolir jovens como quase aconteceu com Veska. Ciente disso, ela decide investigar profundamente e confrontar os líderes locais. O problema é que The Dreamed Adventure se transforma essencialmente em uma história sobre uma mulher constantemente ameaçada por se envolver onde não deveria, mas que nunca materializa esses riscos visualmente ou no tom da narrativa. É até cômico como Veska consegue escapar ilesa de diversas situações complicadas. Sem acelerar o passo, Grisebach dedica muito tempo do filme a cenas que retratam isso, tornando difícil para o espectador se engajar no conflito.
Os atores não profissionais também enfrentam dificuldades. Quando interpretam versões levemente modificadas de si mesmos, trazem um realismo convincente que se perde quando precisam atuar em cenas de conflito e tensão. Como o roteiro não esclarece completamente os riscos envolvidos, as atuações se tornam ainda mais cruciais para que possamos compreender as emoções em jogo, algo que o elenco não consegue realizar. Assim, The Dreamed Adventure acaba deixando uma sensação de vazio, como se, no final das contas, nada tivesse realmente acontecido.
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.